As aulas nas salas pararão, mas as aulas práticas de cidadania se iniciarão é a greve de toda rede pública do Estado do Mato Grosso que começará dia 06/06. Não se trata de crianças sem aula, não se trata de atrapalhar a rotina de ninguém. Não culpem os profissionais da educação pela greve, pela falta de giz, pelo buraco no teto, pela cadeira estrambelhada, pela merenda azeda, pela droga na escola, pela...???
A greve é para valer a máxima de que a educação publica de qualidade, de que nosso país necessita, somos nós, é uma luta de todos nós. Diria a sua antiga professora de português, aquela que ensinou a conjugar: “é nós, primeira pessoa do plural. Os sujeitos são: eu, professora e você, cidadão, juntos conjugando o verbo lutar não no futuro, mas sim no tempo presente.
A prioridade da educação é a retórica tão comum nos discursos políticos e institucionais, mas quem realmente apóia? Aonde estão os planejadores públicos que comprovam a priorização da educação? O professor de história já dizia em sua aulas polemicas: “não se esqueçam, que D. Pedro I já prometia e não cumpria, aos escravos só restava o sofrimento da senzala”.
São os números que apontam, e desta vez não enganam, que este discurso é esvaziado na pratica institucional em todas as esferas. É simples, tudo era cartesianamente simples para a professora de matemática: “se 25% dos valores que o estado arrecada não são aplicados na educação como deveria, é lógico concluir que 35% então nem se fala”.
O respeito que todos temos pelo professor, pela merendeira, pelo vigilante, por todos os profissionais que fazem a educação não pode ser uma retórica nem política de saudosismo puro. Tem que ser realidade e tem que ser agora.
É a greve, este meio assegurado pela constituição Federal, que fará novamente retumbar aos ouvidos moucos de que a prioridade social que necessitamos é a educação. Posso afirmar, não há ilegalidade, e não haverá corte de pontos.
O tecnicismo burocrático como sempre falará em “ausência de disponibilidade financeira”, mas se falta dinheiro para a prioridade que é a educação como então sobra para erguer um gigante elefante verde chamado Arena Pantanal ou para pagar pensões de ex-governadores.
Evidentemente existe um transtorno na vida das famílias das crianças que ficarão sem escola. Mesmo sem culpa, estas famílias têm a responsabilidade de fazer entender a sociedade de que não são os grevistas os culpados, a culpa é dos corruptos.
O professor que luta por um piso salarial de R$ 1312,00 não é o corruptor dessa história. Não é a merendeira que desfaz a educação como prioridade de vida. Tão pouco é o vigilante, o assoberbado de privilégios.
O cidadão que lê este texto e não é professor, não é o corrupto, não é o pai da criança da escola pública, e acredita que nada tem a ver com esta história fica a lição do professor de literatura: A moral desta história é para aprendermos a sermos cidadãos. Se você paga impostos, mas nada é feito, é porque alguém ta roubando, ou você não faz nada ou vai à luta”.
BRUNO BOAVENTURA É ADVOGADO E SPECIALISTA EM DIREITO PUBLICO E MESTRANDO EM POLITICA SOCIAL PELA UFMT.
Jornal A Gazeta, Cuiabá 02 de junho de 2011.
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