terça-feira, 26 de abril de 2011
Um novo olhar sobre a sustentabilidade
25/04/2011
Segundo Gilles Lipovetsky, importante filósofo contemporâneo, as
preocupações do por vir planetário e os riscos ambientais assumiram posição
primordial no debate coletivo. Nos últimos anos, quando despertamos para as
revelações alarmantes a respeito do aquecimento global, o termo
sustentabilidade ganhou a importância merecida na mídia, governos e
empresas. Sustentabilidade virou uma febre. As empresas são sustentáveis, o
negócio é sustentável, tudo é sustentável. Mas o que é ser sustentável? Que
conceitos norteiam as gestões estratégicas das organizações?
Ser sustentável hoje, provavelmente, é viabilizar o negócio desde que não
impacte em mais custos, tecnologias mais caras. O que todos precisam
entender é que há urgência em equilibrar a balança do tripé da
sustentabilidade (Triple Bottom Line), a economia não deve pesar mais que o
social e o ambiental. Caso isso não ocorra, a natureza cobrará o seu preço.
No caso do Japão, o governo gastará 200 bilhões de dólares na reconstrução
do país após o desastre.
Em 1987, foi publicado o Relatório "Nosso Futuro Comum" (Our Common Future),
elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que
fazia duras criticas ao modelo de desenvolvimento adotado pelos países
industrializados e reproduzido pelas nações em desenvolvimento, ressaltando
os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem considerar a capacidade
de suporte dos ecossistemas. O relatório apontava para a incompatibilidade
entre o desenvolvimento e os padrões de produção e consumo vigentes.
Cunhou-se a célebre frase: "Desenvolvimento sustentável é satisfazer as
necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de
suprir suas próprias necessidades" .
Ou seja, deveríamos garantir para os nossos filhos, pelo menos, a mesma
qualidade de vida que temos hoje e que já não é tão boa assim. As gerações
futuras agora com 24 anos (1987 a 2011), perguntam quais medidas foram
cumpridas e se é este o futuro que construímos para eles. Devemos mesmo
adotar esse conceito? A resposta é não! Os resultados mostram que falhamos e
que sustentabilidade é garantir hoje a qualidade do meio ambiente, da vida,
gastar o que for preciso para as gerações presentes.
Não há um limite mínimo para o bem-estar da sociedade assim como não há um
limite máximo para a utilização dos recursos naturais. Como citou Jeffrey
Sachs, professor de Economia e diretor do Instituto Terra da Universidade
Columbia, "o mundo está rompendo os limites no uso de recursos, se a
economia mundial cresce a um patamar de 5% ao ano significa, neste modelo de
desenvolvimento, que continuaremos produzindo grandes impactos ao meio
ambiente, nosso planeta não suportará fisicamente esse crescimento econômico
exponencial, se deixarmos a ganância levar vantagem, o crescimento da
economia mundial já está esmagando a natureza".
Se continuarmos com um modelo de desenvolvimento como o que temos
atualmente, em 2050, quando se estima que seremos 9 bilhões de habitantes,
teremos uma dívida ecológica de 24 meses, tempo necessário para ela se
recompor, mesmo assim, não se tem a certeza se o planeta agüentará uma
pressão deste tamanho.
Há um grande equívoco que preciso deixar claro quando se fala em
desenvolvimento. É comum falar em desenvolvimento sob o prisma do
crescimento da economia, o Brasil está entre os 10 países mais ricos do
mundo, mas o relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mostra o
Brasil na 73ª posição entre 169 países. De acordo com o relatório,
aproximadamente 8,5% da população brasileira vive abaixo da linha da
pobreza, ou seja, 17 milhões de brasileiros vivem com menos de R$60 por mês.
Além da má distribuição de renda, doença crônica no desenvolvimento do
Brasil, a saúde e a educação são o que mais pesa na pobreza do país.
Como diria o professor Sachs, "se a ganância vencer, a máquina do
crescimento econômico depredará os recursos, deixará os pobres de lado e nos
conduzirá a uma profunda crise social, política e econômica". Precisamos
propor uma mudança no paradigma da sustentabilidade, o desenvolvimento
sustentado necessita incluir o homem nesse processo, numa gestão que inclua
as pessoas, tecnologias sem o pressuposto econômico, fontes renováveis e
práticas sustentáveis. Como citou Rachel Carson em seu livro Primavera
Silenciosa, "o homem é parte da natureza e sua guerra contra a natureza é
inevitavelmente uma guerra contra si mesmo... temos pela frente um desafio
como nunca a humanidade teve, de provar nossa maturidade e nosso domínio,
não da natureza, mas de nós mesmos". A mensagem está dada.
Fonte:Portal Administradores. com por Backer Ribeiro
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Muito bom o artigo. Somos cercados de conceitos, de significacoes sobre sustentabilidade, que muitas vezes caimos naspropagandas verdes de quem nao e nada sustentavel.
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